O aguardado show de Shakira em Copacabana começou com 1h20 de atraso. Durante a transmissão, a Globo informou que a colombiana ainda não havia subido ao palco por conta de um problema familiar. Rapidamente, surgiram especulações de que algo teria acontecido com seu pai, William Mebarak Chadid, de 94 anos, que supostamente teria passado mal pouco antes do início da apresentação, informação que, até o momento, não foi confirmada oficialmente.
Fato é que Shakira esteve vulnerável em cena, distante de sua performance mais precisa. E, diante do contexto, isso é absolutamente compreensível. Em vários momentos, o nervosismo era perceptível; até mesmo uma base de playback escapou de forma mais evidente do que no ensaio geral. Ainda assim, emocionalmente gigante, ela escolheu subir ao palco e se apresentar no sacrifício.
O show seguiu o roteiro da Las Mujeres Ya No Lloran World Tour, a turnê mais rentável de 2025, e acabou não agradando parte da audiência que acompanhava de casa. Nas redes sociais, muitos comentaram que o repertório parecia desconexo. Dentro da lógica da turnê, porém, a sequência faz sentido, especialmente para os fãs que acompanham a nova fase da artista. Aos críticos de sofá, sempre mais ávidos pelos grandes clássicos, algumas faixas soaram distantes ou até desconhecidas.
Ainda assim, ela entregou hits. E, se fosse necessário, teria facilmente mais três horas de repertório capaz de manter Copacabana inteira cantando junto.
A enxurrada de comentários maldosos sobre figurino, performance e estrutura de palco só escancara como artistas latinos ainda enfrentam uma régua diferente quando ocupam espaços historicamente reservados ao olhar mais generoso dado a outros nomes internacionais. Culturalmente, as propostas sempre serão diferentes, mas a cobrança parece ser sempre maior.
O maior show da vida de Shakira também acabou se tornando um dos mais criticados de seus 30 anos de carreira. Sobrou até para seu discurso sobre mães solteiras, classificado como “forçado” por usuários do X, antigo Twitter.
Se fosse uma apresentação comum, diante de uma notícia familiar tão delicada, provavelmente ela teria cancelado tudo e se resguardado para viver sua dor longe dos holofotes e de mais de 2 milhões de pessoas, público presente em Copacabana, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Mas aquele não era um show qualquer.
Ela cumpriu o contrato. E mais do que isso: sustentou um espetáculo sob uma pressão emocional que poucos suportariam.
Por isso, mais do que julgamentos, talvez o momento pedisse acolhimento.
A noite ainda teve participações e presenças que tiraram o evento momentaneamente da rota da turnê: Anitta, Ivete Sangalo, Caetano Veloso e Maria Bethânia ajudaram a transformar o espetáculo em um acontecimento ainda maior.
E fica o recado: Shakira é enorme.
Infelizmente, ao que tudo indica, o roteirista da vida resolveu pregar uma peça justamente no ápice de sua carreira.
Que não lhe falte força.