Quando saiu a lista dos 30 concorrentes do Festival de Sanremo 2026, o nome de Sal da Vinci passou quase despercebido. Aos 56 anos, o napolitano era daqueles nomes que compunham o elenco, mas não aparecia em nenhuma seleção de favoritos. Até a primeira noite.

Com Per Sempre Sí, uma música dedicada ao próprio casamento duradouro, a Itália viu um rebrading ao vivo, orgânico, conduzido pela própria cultura pop. Foi um fenômeno que conquistou crítica, público e esbarrou até em jogadores de futebol lendários. Furou completamente a bolha do Teatro Ariston.

Durante anos, o artista carregou o rótulo de cantor romântico clássico, quase “datado”, associado a um repertório emocional, teatral, sentimental demais para os padrões debochados da geração TikTok. A música que levou ao festival, centrada no matrimônio de 34 anos, com letra declaradamente tradicional e arranjos que evocam outra era, parecia, à primeira audição, deslocada no tempo.

Mas, quase como uma ironia do mercado, foi justamente isso que virou o jogo a favor de Sal da Vinci, que fez o meme se transformar em afeto coletivo após 17 anos da sua primeira participação em Sanremo.

Vídeos dele reagindo com humildade, a devoção explícita à família, o orgulho napolitano sem filtros, tudo isso começou a circular com irreverência carinhosa. A dancinha desengonçada que ele fez no Teatro Ariston foi acolhida por um público multigeracional.

Os jovens não estavam rindo dele, estavam rindo com ele. Em um festival historicamente marcado por divisões entre “alta cultura” e “cancionetta”, Sal ocupou o lugar do artista que não pede desculpas por ser sentimental e sem nenhuma intenção de se encaixar na estética do Sanremo contemporâneo.

Ao confirmar sua presença no Eurovision Song Contest, na Áustria, em maio, Sal fez questão de avisar que vai levar a família “como o Bad Bunny fez no Super Bowl”. Não tem um italiano que tenha se indisposto com o resultado, qualquer que tenha sido sua performance favorita durante a semana.

Com 22,2% dos votos, a vitória sobre o jovem Sayf e o furacão Ditonellapiaga, que completaram o pódio, Sal da Vinci mostrou que o brega pode ser revolucionário.

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